segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Domingo quase no fim

Hoje saí pra beber umas com uma colega de faculdade e companheira de décadas, visto que temos praticamente a mesma idade. Botamos o papo em dia enquanto ela esperava pra buscar o namorado na rodoviária. Um bom momento em que a plaquinha do msn dá lugar a pessoas com substância. Recordamos entre tantas coisas os estereótipos da vida social universitária. Ela tinha fama de "pistoleira". Não merecida, a bem da verdade. Ela até gostaria de ter se esbaldado de afeto e sexualidade na proporção que lhe atribuíam, mas sua vida sentimental seguira um rumo mais tranqüilo.

Porque suas colegas de curso lhe impuseram  á boca pequena tal desdém moral?

Vejamos, moça bonita, de bem com a vida, feliz, na dela, independente. Alheia á jogo psicológico, ao teatro de sombras moral através onde um pequeno grupo negociava seus afetos.

Para ser diferente, basta ser você mesmo.

Machismo fundamentalista na boca de mulher é triste.

Eu também gostaria de ter sido tão promíscuo como chegaram a pensar anos atrás, existir no presente como um herbário de hepatites, e a cada falência renal recordar  o semblante de uma beldade envolto na nuvem sinestésica de seus aromas e vocalizações, enquanto conjeturava se a enfermeira teria me dado bola nos tempos em que meu sorriso não estava mascarado pela herpes.

Quer dizer, se eu tivesse a imunidade dramática de um personagem de ficção.

É bom viver com o que se tem.

Você vive e os personagens vão ficando pra trás.

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