domingo, 9 de outubro de 2011

Why So Serious?

Nos últimos dias, a proximidade dos dia da Criança gerou uma campanha no Facebook, convidando os usuários a trocar a foto do perfil por uma imagem de um desenho animado da infância, para gerar consciência a respeito da violência infantil. Em 24 horas, 100.000 usuários do Facebook mudara sua foto do perfil como proposto. Na sequência da campanha bem sucedida, iniciativa do blog Insoonia, começaram a aparecer diversas críticas: modinha, farsa, hipocrisia, ingenuidade, vergonha, hipocrisia entre outros adjetivos usados e foi enfatizado pelos críticos a inutilidade da campanha, a decepção com as manifestações online da geração atual geração e como um protesto de verdade deve ser feito nas ruas para alcançar resultados efetivos.

Fico admirado como algumas pessoas levam tudo ás últimas consequências nas redes sociais. Imagino que para elas a convivência social online seja em muitos momentos um insuportável pesadelo, e me intriga saber porque elas se sujeitam a um ambiente que lhes causa tanto desgosto por fazer parte da humanidade. Um simples protesto simbólico vira uma afronta, a visão de vários usuários mudando para desenhos animados causa náuseas e a pessoa se sente no dever de alertar a todos que aquele não é o caminho, que há coisas melhores a se fazer, como se testemunhasse todos os amigos e vizinhos se convertendo a um sombrio culto de fanáticos, ou quem sabe, presenciando impotente à Invasão dos Ladrões de Corpos, versão online.

Ocorre nessas críticas um grave nivelamento por baixo do senso crítico dos usuários de redes sociais. Como se todos que participam da brincadeira não soubessem  que ela ocorre exclusivamente online, restrita ainda ao Facebook e ao Twitter, principalmente. Pior, pressupõem que as pessoas não sabem a diferença entre o online e o offline, ou seja entre o que existe somente na tela do computador e o mundo real fora dela. Como se as redes sociais fossem um oceano de gente fútil e superficial onde raras pessoas profundas, inteligentes e sérias existissem. Claro que essas pessoas profundas e conscientes são os críticos da "modinha" dos desenhos animados. Agora quem será que não está entendendo o significado do conceito de simbólico?

Parece que os indignados críticos não conseguiram entrar no espírito da brincadeira. A campanha aparentemente não conseguiu chamar a atenção das crianças que eles já foram, mas sim dos adultos sérios e responsáveis que eles são. Fico imaginando se eles fossem convidados a brincar de roda em uma praça pública, para chamar a atenção contra a violência  infantil, demonstrariam o mesmo desdém ou ficariam discutindo com os participantes sobre como aquele ato é inútil e ridículo e não muda nada a cruel realidade da violência infantil.

As pessoas porém sabem que uma campanha não muda a realidade da noite pro dia. Ninguém promove uma campanha ou protesto acreditando que dele virá a solução definitiva dos problemas abordados. Iniciativas como são tentativas de conscientização. Se algumas pessoas pararem para refletir, já terá sido melhor do que nada fazer. Será isso idealismo demais? Sei que o ato de parar pra fazer algo simples, mas não habitual, como trocar a foto do perfil, me fez procurar na lembrança qual era um dos desenhos mais antigos que eu gostava de assistir quando criança. Descobri mais sobre o título do qual só me lembrava o nome e comparei isso com as impressões que o desenho me causava.

Mas o mais importante é que fazendo isso me lembrei do fora ser criança. Me senti novamente na infância. Será que conseguir se colocar no lugar de uma criança, mesmo esta sendo aquela que você já foi um dia, não tem nenhum efeito na conscientização contra a violência infantil? E um efeito mesmo que pequeno deve ser desprezado? Mas mais importante, você ainda consegue brincar um pouco, sem compromisso e entregue á brincadeira como quando você era criança?

As fotos trocadas de perfil são uma brincadeira e se você não quer participar, tudo bem, não precisa se sentir pressionado pela massa ignara. Fazer algo obrigado é justamente contra o espírito da coisa. Não leve a coisa tão á ferro e fogo.

Let's put a smile on that face!


segunda-feira, 14 de março de 2011

Guia para o futuro Professor do Projeto Ribeirinho





Para poupar tempo aos novos professores que estão entrando no projeto e dar uma ideia do que fará parte de seu novo cotidiano. E em honra ás listas e todas as histórias que podem ser contadas pelo que consta nelas.

Lista de material básico (fora a cesta básica):
    • Rede
    • Pasta de dentes
    • Escova de dentes
    • Fio dental
    • Sabonete
    • Shampoo ( recomenda-se shampoo-condicionador )
    • Desodorante
    • Perfume
    • Bloqueador Solar
    • Repelente
    • Produto para descontaminar a água ( na falta ferver )
    • Comprimidos anti- térmicos
    • Comprimidos para dor de cabeça
    • Pomada para micoses
    • Óleo de Andiroba (para feridas, e pruridos)
    • Soro fisiológico
    • Remédio para a flora intestinal ( em caso de diarreia )
    • Remédio para diminuir diarreias ( em caso de diarreias )
    • Anti-alérgico ( para pessoas alérgicas )
    • Anti-depressivo
    • Anti-convulsionante
    • Gel para contusões
    • Pomada para picadas de insetos
    • Papel higiênico
    • Tesoura
    • Cortador de unhas
    • Pinça
    • Agulha e linha
    • Gaze e esparadrapos
    • Band-aid
    • Camisas sem manga
    • Bermudas de tecido leve
    • Panelas ( quantas forem necessárias para preparar uma refeição básica )
    • Chaleira
    • Leiteira
    • Copos e canecas em quantidade suficiente
    • Talheres
    • Talheres para preparar a comida
    • Pratos
    • Garrafa térmica para o café
    • Garrafa térmica para a água
    • Jarra para fazer suco
    • Panos de prato
    • Esponja
    • Detergente ou sabão em barra
    • Palha de aço
    • Potes plásticos para guardar bolachas ou outros materiais perecíveis ( recomenda-se no mínimo quatro, de tamanhos diferentes )
    • Fósforos
    • Ventilador
    • Lanterna
    • Pilhas ( recarregáveis de preferência )
    • Isqueiro
    • Álcool 90
    • Gasolina ( sessenta Litros )
    • 1 litro de óleo para motores de Dois Tempos

Kit reparos:

    • Chave de fenda
    • Chave de Boca
    • Chaves Allen
    • Chave teste
    • Torquesa
    • Martelo
    • Pregos, porcas, parafusos e buchas
    • Furadeira
    • Canivete
    • Serra de arco
    • Serras sobressalentes
    • Bisnaga de cola para cano
    • Joelhos, juntas, encaixes variados ( no mínimo três de cada )
    • Canos de diferentes espessuras ( no mínimo dois metros de cada )
    • Torneiras, registros e válvulas sobressalentes ( no mínimo três de cada )
    • Fita veda Rosca ( dois rolos no mínimo )
    • Tomadas e espelhos de tomada de tipos variados ( no mínimo quatro de cada )
    • Plugues de tomada de tipos variados ( no mínimo quatro de cada )
    • Fio elétrico de três espessuras diferentes ( mínimo de quatro metros de cada )
    • Fita isolante preta ( mínimo de dois rolos )
    • Alicate
    • Dimmers sobressalentes ( mínimo quatro )
    • Durepox
    • Fonte de computador sobressalente ( mínimo duas, uma ATX e outra a compatível com modelos AT )
    • Lâmpadas ( mínimo cinco )




Kit telefonia ( Caso você queira telefonar ):

    • Terminal de telefone com jacarés ( próprio para conexão mais rápida)
    • Conjunto chaves mestras para abrir equipamentos de telefonia
    • Clippers e peças sobressalentes diversas ( próprias para rádios da operadora Oi )
    • Fio telefônico (dois metros no mínimo )
    • Placa padrão de orelhão da Oi-Brasil Telecom sobressalente
    • Manual para reprogramação de placa de orelhão
    • Manual de configuração de rádio da Operadora Oi Brasil Telecom
    • Manual de eletrônica básica


Habilidades e cursos requeridos de um futuro professor do Projeto Ribeirinho
( Além da respectiva formação acadêmica na respectiva área de ensino ):


    • Noções de primeiros socorros
    • Psicologia comportamental
    • Levantamento de peso
    • Massagem lombar terapêutica
    • Natação
    • Eletricista
    • Encanador
    • Contabilidade
    • Pilotagem de barcos ( emergências acontecem. )
    • Negociação
    • Ouvidos Moucos para fofoca. ( Não ensinada na academia. )


domingo, 13 de março de 2011

Botequim de Barnabás.: Meu Ano Novo

Botequim de Barnabás.: Meu Ano Novo

Meu Ano Novo



Tentei mas não fiz uma retrospectiva de 2010. Era o último dia do ano. 2011 já passa do carnaval. Então recordo: o que foi 2010 para mim?
Virei o ano um tanto amargo. Expectativas frustradas, desencontros, ilusões. Roteiros batidos tantas vezes executados ao longo da vida. Me deixei levar pela indolência dos desterrados, pelo cotidiano transcorrendo entre o meditativo e o melancólico. Mas não por muito tempo.
Conhecia uma moça a tempo,da rede de computadores. Ela veio me encontrar pessoalmente em finais de Janeiro. E minha vida mudou graças a esse encontro. Conversamos muito mais nos meses seguintes e comprei uma passagem em suaves prestações. Após quase 12 anos no Desterro, mais conhecida na mídia como Floripa, mudei de capital. Fui para Porto Velho, Rondônia.
Partida de Curitiba, escala em Cuiabá. Em poucas horas, lá estava eu. Hotel barato, quarto quente com um ventilador velho e sujo. Depois conheci Candeias do Jamari e um surreal hotel de beira de estrada.
Passei frio em PVH na primeira semana na casa da futura noiva, dormindo na rede na área de serviço. E foram as mais baixas temperaturas desde então. Morei em uma quitinete térrea, com exterior de cadeia e banhada pela poeira vermelha da esquina movimentada. Do sul ao norte do país, morando em uma rua de areia ou terra.
Fiz concursos para professor. Não passei em um, tive mais sorte no da prefeitura de PVH. Virei professor do ensino fundamental II, na zona rural, especificamente do Projeto Ribeirinho. No Projeto os professores descem o Rio Madeira e passam quinze dias nas comunidades ribeirinhas dando aula e depois retornam para Porto Velho e passam mais quatorze dias na capital, pois um é para a reunião de pessoal. Entrei nessa rotina em Julho.
Passei os meses seguintes conhecendo uma comunidade do baixo Madeira, a cultura ribeirinha, a simpatia dos ribeirinhos, as belezas da natureza local e os horrores da realidade educacional do município. Meu quarto-sala alagou pelo ralo do banheiro, fui embora. Ensaiei alunas para apresentações de dança, observei de perto os grandes jacarés do Lago Cuniã, acompanhei o campeonato local de futebol e presidi a mesa. Testemunhei o período eleitoral e vi o fundamentalismo cristão mostrar a face rançosa.
Pedi em noivado a moça que me trouxe pra Rondônia. Levei ela para conhecer a comunidade em que trabalhei. Distendi a coluna de tanto carregar bagagem pras localidades. Terminei o ano letivo indo fechar matérias de 2009 na comunidade de Demarcação, sem telefone nem internet, mas com tevê Globo. Tomei muito banho de cuia. Terminei o ano quase saindo do Projeto, mas permaneci. Passei o ano novo com a família e apresentei a noiva. Mostrei a ela a lendária capital do país e artefatos diversos do meu passado. Brindamos ao futuro. Voltamos a Rondônia, marcamos o casamento, o cartório quase atrasa nosso processo, os preparativos se atropelam mas afinal, casamos em pleno carnaval, com direito a samba de bloco pra saudar a entrada da noiva. Meu 2010 se encerra agora e 2011 começa oficialmente após o carnaval, como é tradição da pátria. Mudei. Girei cento e oitenta graus e sacudi a falta de perspectivas. Já era hora.