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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Samba do Mês

Quando você acha que tá tudo ruim e não pode piorar, um amigo espírito de porco se inspira na sua vida pra fazer samba:



O seu dedo, você quase decepou.

O cabo do acelerador se soltou.

Sua internet se apagou.

Seu coração, uou, uou.



E Agosto só começou. (breque)



Mas não perca a esperança,

Existir é uma dança,

Chegou à hora de bailar.



Não faça essa carranca,

Se a vida não arranca,

É a hora de trocar.



Troque o câmbio da sua conjuntura,

A caixa de marchas não atura,

As ladeiras do Não Há.



Mude o cabo limpe o freio,

Tem um caminho do meio,

Onde quer que você vá.



Deixe entrar a alegria,

Nem que seja a fantasia,

De o sambista esganar.



Diminua a filosofia,

Pois senão a bateria,

Certamente vai vazar.



Nossa carga já é demais,

Estamos sempre aquém.

No mandando postais,

De um mundo sempre além.



Se a conexão acabou,

O fabricante se mandou,

O investimento não se pagou,

E outro mês nem começou.



Dê-me um abraço casto,

Contemplemos o abismo, pois ele é tão vasto...




Lálalalá lairáralalalairá!

Lálalalá lairáralalalairá!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Amor sem tostão

Quero um amor sem tostão,
Um amor sem conquista.
Amor só de coração
E que ela seja paulista.

Dizes que penso de inverso,
Falo o absurdo incrível.
Mas me diz o universo
Com certeza é possível.

Amor sem carro, sem dinheiro,
Sem promessas de pensão.
Amor sem apoio financeiro
E que nunca abra a mão.

Um amor sem cartão
Crédito ou avalista.
Sem compensação
E no Serasa não exista.

Não lhe darei dinheiro,
Transporte ou abrigo.
Mas serei teu por inteiro
E te quero sempre comigo

Não terei dívidas, ativos,
Papéis em ascensão.
Só sentimentos cativos
Do teu coração.

Faltei aula de economia
E de estatística.
Investi na que sorria,
Desprezei a logística

Um amor sem tostão
E que ela seja paulista.
Apenas puro coração
Em plena Paulista.

Vadiar na avenida
Pedir por caridade.
Fundos para a vida
De um casal da cidade.


Esmolar nosso dinheiro
Em frente á FIESP.
Ali nosso afeto inteiro
Aos investidores se despe.

O mundo pode até rir
Da nossa falta de capital.
O teu peito partir,
Mas sigas sentimental.

Sentar no meio fio,
Secar-lhe o rosto
Com a toalha suada.
Choras um rio,
Choras com gosto,
Pois sabes que és amada.

Posso lhe dar amor
Carinho atenção,
Até um filho lhe dar.
Diante do teu estupor
Fazer uma canção,
O impossível provar.

Mas não posso, não quero,
Ter que por esse amor trabalhar.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Faltou á aula

Nunca vi, moça tão prática.
Quando o assunto é amor.
Criou até, nova gramática,
De uma língua sem dor.

Pouco vocabulário
Para falar, de emoção.
Sim, pois é precário,
Neste mundo, ter coração.

Nananina nã, na ni na ni não,
Não gostei de te ver aqui.
Sua visita, é uma opressão
Ao meu senso de piri pi qui.

Tipô puxa, afe, le chatô.
Eu falei, quero só curtir.
Se estive lá, quando lá não tô,
Era só pra não precisar mentir.

Nananina nã, na ni na ni não,
Já te disse não venha aqui.
Sua visita é uma opressão.
Ao meu senso de piri pi qui.

Tadadijadeu, podeirsevá,
Eu já provei, então já passou.
O consumido, usado está.
Não importa se o amor sobrou.


Apesar disso a sua voz,
Qual sólida luz.
Dissipa a ilusão atroz,
Quando a nota conduz.

Quisera eu só amar
Mãe, pai, irmão, irmã.
Tive logo que gostar
De uma filha de Iansã...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Reforma

Bem, tava precisando de uma mudança de ares.

Pra começar um sambinha descompromissado.
Nada muito rápido, leia com uma melodia tradicional na cabeça,
entre Martinho da Vila e Paulinho da viola, sem pretensões, sem medos, sem metas.



Indiazinha universitária,
Dançando tão bela
Gingando, sorrindo.
Daquela festa ela
Estava fugindo.

Encontrei-te de novo
Na faculdade
No meio do povo
Falamos até tarde.
Um beijo tão doce,
Dissipando a tristeza.
Caminhamos até sua casa
Sentamos á beira da mesa.

Naquela sala você mudou de idéia.
Disse que era engano,
Seja meu amigo.
Minha beata virou atéia,
Atrás do pano
Sozinha, no sofá dormindo.

Sem malandragem,
Sem afeto.
No seu pé tatuagem,
Deixei em projeto.
Dia seguinte,
Cama arrumada.
Aluno ouvinte,
Tese rejeitada.

O tempo passou,
Eu me formei.
Uma pós calhou
E te encontrei.
Você me cumprimentou,
Eu rejeitei.

Á distância sem jeito
Esboçaste um abraço.
Não, nada feito,
Se já passou, eu passo.

Vejo esfriar
Tua espontaneidade
Podes culpar
Minha personalidade.



Não guardo rancor,
Daquele dia aziago.
Reconheço o valor
De um remédio amargo.

Dia seguinte,
Cama arrumada.
Aluno ouvinte,
Tese rejeitada.