terça-feira, 24 de novembro de 2009
Celular consertado
Eu compreendo e fico a consertar teu celular.
Assombrado lembro, quão ligado a máquina o relacionamento está.
Você não está aberta, teu aparelho minha voz não escuta.
Não há namoro, decreta. A ligação não comuta.
Outro amor refletiu na máquina de lavar.
Aquele partiu a perna quando ela começou a estragar.
A gente não se falava, a máquina não enxaguava.
Ninguém mais se aguentava.
Limpando do celular o contato elétrico, me vi tão tétrico.
Bom técnico conserta o aparelho quebrado.
Mas não coração magoado.
Cadê aquela ponta de fio desencapado...
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Estampido Branco
Beira da faca
Cão sarnento.
Luz surda,
Cegos olhos,
Fogo lento.
Carne cálida,
Canta árida,
Portento.
Pele, pedra chão,
Joelhos tento.
Cidade nula
Vapor desfeito.
Gavião morto,
Pio sedento.
Língua pula
Picota peito.
Olhos ave,
Rosto refeito.
Céu abre,
Olhos deito.
Amarelos,
Magnético,
Alento.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Dia de ficar em casa
Murmura caos nas gotas,
Glaciares ósseos contra a carne.
Olhar acre, corpo erodido.
No teu hálito distante.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Noite quente de Domingo
Noites de final de semana
Sons de festas ao longe
Parecem vir da memória.
Esse lugar perene
Chamado evocação.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Lá no canto
Toda água se levanta.
Na narina,
Da barata
O aroma
De quitina,
Canta.
Folha seca,
Bíblia eterna,
Massa abstrata.
Teu corpo arrebata,
A carícia
Que o pé achata.
Teu corpo,
Tua pata,
Tanta.
Jazz no fundo,
Da lata.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Amor sem tostão
Um amor sem conquista.
Amor só de coração
E que ela seja paulista.
Dizes que penso de inverso,
Falo o absurdo incrível.
Mas me diz o universo
Com certeza é possível.
Amor sem carro, sem dinheiro,
Sem promessas de pensão.
Amor sem apoio financeiro
E que nunca abra a mão.
Um amor sem cartão
Crédito ou avalista.
Sem compensação
E no Serasa não exista.
Não lhe darei dinheiro,
Transporte ou abrigo.
Mas serei teu por inteiro
E te quero sempre comigo
Não terei dívidas, ativos,
Papéis em ascensão.
Só sentimentos cativos
Do teu coração.
Faltei aula de economia
E de estatística.
Investi na que sorria,
Desprezei a logística
Um amor sem tostão
E que ela seja paulista.
Apenas puro coração
Em plena Paulista.
Vadiar na avenida
Pedir por caridade.
Fundos para a vida
De um casal da cidade.
Esmolar nosso dinheiro
Em frente á FIESP.
Ali nosso afeto inteiro
Aos investidores se despe.
O mundo pode até rir
Da nossa falta de capital.
O teu peito partir,
Mas sigas sentimental.
Sentar no meio fio,
Secar-lhe o rosto
Com a toalha suada.
Choras um rio,
Choras com gosto,
Pois sabes que és amada.
Posso lhe dar amor
Carinho atenção,
Até um filho lhe dar.
Diante do teu estupor
Fazer uma canção,
O impossível provar.
Mas não posso, não quero,
Ter que por esse amor trabalhar.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Faltou á aula
Quando o assunto é amor.
Criou até, nova gramática,
De uma língua sem dor.
Pouco vocabulário
Para falar, de emoção.
Sim, pois é precário,
Neste mundo, ter coração.
Nananina nã, na ni na ni não,
Não gostei de te ver aqui.
Sua visita, é uma opressão
Ao meu senso de piri pi qui.
Tipô puxa, afe, le chatô.
Eu falei, quero só curtir.
Se estive lá, quando lá não tô,
Era só pra não precisar mentir.
Nananina nã, na ni na ni não,
Já te disse não venha aqui.
Sua visita é uma opressão.
Ao meu senso de piri pi qui.
Tadadijadeu, podeirsevá,
Eu já provei, então já passou.
O consumido, usado está.
Não importa se o amor sobrou.
Apesar disso a sua voz,
Qual sólida luz.
Dissipa a ilusão atroz,
Quando a nota conduz.
Quisera eu só amar
Mãe, pai, irmão, irmã.
Tive logo que gostar
De uma filha de Iansã...
terça-feira, 5 de junho de 2007
Vigora
Vigência de um vício em insone lâmina transparente,
Tão rente á pele microbiótica
Certeza negada e outra vez deferida...
Eco em forma de vácuo emoldura tua piedade.
Vive visível vício?
Carne cortada, pústulas à venda,
Todo sangue escorrido e agora só essa luz elétrica fala por ti,
Com a dor amena de amanhecer...
Agudo pleito de plágio braquicárdio!
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Cacos no chão
Arranquei,
Da minha imagem
O coração,
Reflexo parasitado.
Um asseado verme
Sorriu-me
Óxidos de outras eras.
Era ele mais
Uma corda
Que toava,
Na minha alcova vil,
Lambendo as vestes
Das considerações reclusas?
No salão
Um pingo
Reverbera,
Compondo pavilhões,
No som
Da senil linha
Reta.
Aquele,
Outro em minha
Arcada,
Reflete os
Vultos assoberbados
Frente à máscara,
Portal da vida
Dentes,
Espelhos,
Sem saída.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Sou uma sentença
Sou uma sentença.
Sólida,
Sorumbática,
Caminhando de folha em folha.
Deixo minhas pegadas de tinta.
E não tenho pressa,
Tenho sono...
Vou dormir em outra mente,
Aqui o aluguel está caro.
Não lavam esse
Sangue-borrão
De onde me sento,
Mas me alimentam bem.
Letras gordas,
Morrem gritando como porcos,
Para me serem servidas.
É gentil o senhorio,
Nesta casa cheia de pó,
Tantas frases mofam
Nos corredores.
Expressões mumificadas,
Cadáveres de histórias ressecadas,
Amontoam-se nos quartos.
Ou então dormem nas infinitas pilhas
De papel em branco,
Roídas de ratos
Compostos de lápis.
Os coloridos sempre riem.
Pelo menos assim parece.
Sim sou sua sentença,
Já vou indo agora,
Tenho sede
E as folhas são secas
Mesmo
Sempre vivas.
Solilóquio
Com o papel,
Só se é louco.
Disso não há
Dívida.
Duvida?
Sono
Sono, eu os vejo pequeninos.
Sono, as imagens afogadas
No pulsar das facas.
Na queda pulsante,
Dos corpos,
Das lâminas,
Das línguas.
Uma vasta onda
Esfola a realidade.
Calma, a maré afasta o solo,
Gota à gota.
Somo psicóticos sim,
Chacinados carvões!
Dois olhos se erguem.
Um corpo, uma miríade,
De afiados metais.
Cada retalho é
Reflexo do ser som.
Uma multidão de rostos,
De gozos,
Na infinidade das dimensões,
Goza!
Dos deuses pessoais a carne,
Cacos de aço,
Ri e rima.
sábado, 5 de maio de 2007
Manhã Sem Café
Meu sangue carcomido,
O sexo exacerbado,
Reveste de sentido,
A ferida no estofado.
O polegar, esse exegeta,
Toca um fluido ignorado.
Corre limpa desinfeta,
Crítico, o tédio está sentado.
Espalha veneno
Uma xícara vazia.
Na mesa polida peno,
Um foco amargo ia.
Ser ameno, ser simpático.
Ignorar as pessoas,
Mesmo sorrindo, pragmático.
Até quando lhe entoam loas.
Na garrafa, sem aroma,
Não há gente, não há fé.
O amargor de existir assoma
Na sólida manhã sem café.
Demian Machado
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Colegas
Transtornados, os amigos cantinflam,
O tempo comeu seu quinhão de paciência.
Senso de humor é exclusividade interna,
De clubes onde se colecionam olhares.
E o pitoresco é o verniz da moda.
Mas não comente tá bom?
Narrativas não vêem á luz parara serem
Atrapalhadas.
Há cronogramas a serem seguidos,
Regimentos pessoais de consciência
Cartilham o melhor lucro entre duas sombras.
O cinza é só processo pra ficar na nostalgia,
Numa lembrança fotográfica ou
Reminiscência agridoce.
Séculos de carinhos esquecidos
Estufam almofadas e ventam nos sorrisos,
Soltos só entre lençóis, mudos confidentes.
Auxiliares de direção desse teatro de
Angústias brocadas com alegrias centopéias,
Leves, leves, vão pisando o coração.
No ventre pousaram as mariposas do desdém
Sobram vazios gélidos entre pessoas.
Lâmpadas fluorescentes da arquitetura
Humana.
Conduta, conduíte e contato. O edifício está pronto.
Em cada pavimento a estética de
Vidas em comum
Esticam-se até o horizonte.
Demiam Machado